A empresa de segurança norte-americana, McAffee, no seu
relatório “Sob Fogo Cruzado. Infraestrutura Crítica na Era da Guerra Cibernética”, fez uma avaliação global das ameaças que impendem sobre as
infraestruturas críticas – redes elétricas e de gás, telecomunicações,
transportes, serviços financeiros e de saúde, etc. O relatório baseia-se nos
resultados de um inquérito respondido anonimamente por seiscentos executivos de
Tecnologias de Informação e de segurança de empresas de infraestruturas
críticas em 7 setores de 14 países, os quais responderam anonimamente a uma
série de perguntas detalhadas sobre suas práticas (p. 3).
As respostas evidenciaram que as redes e sistemas de controle
de infraestruturas críticas estão constantemente sob o efeito de ciberataques.
Frequentemente enfrentam também adversários de alto nível, existindo suspeitas
de envolvimento de países estrangeiros nos mesmos. Os tipo de
ciberataques varia, desde ataques, em massa, de negação de serviço (DoS
na sigla em língua inglesa), concebidos para derrubar sistemas de informação,
até iniciativas subreptícias de penetrar nas redes.
O impacto dos ciberataques também varia bastante, mas algumas
das consequências relatadas foram bastante graves. O custo reportado das
paralisações decorrentes de grandes ataques excedeu US$ 6 milhões por dia. Fora
esse custo, a perda mais amplamente temida com os ciberataques é o dano à
reputação, seguido pela perda de informações pessoais dos clientes. (p. 5).
Em termos de identificação e responsabilização dos autores,
há problemas técnicos e jurídicos delicados. Desde logo porque as instruções de
um ciberataque transmitidas para as redes costumam vir de outros computadores
infectados, usualmente pertencentes a terceiros inocentes. Quanto aos
verdadeiros autores do ciberataque normalmente ficam ocultos por detrás de
barreiras e falsos vestígios. Esses fatores tornam difícil o rastreamento da
sua verdadeira origem.
Assim, para os autores do relatório, o ciberespaço de hoje
lembra muito o que no século XVII Thomas Hobbes chamava o estado de natureza –
uma situação de ‘guerra de todos contra todos ‘. Hobbes imaginava que apenas o
governo e a lei poderiam por fim a essa guerra”. (p. 25) Todavia, em matéria de proteção
e segurança das infraestruturas críticas o papel dos governos torna-se
complicado quando a maioria das infraestruturas críticas está nas mãos de
empresas privadas. O problema tende ainda a ser mais complexo, e a
vulnerabilidade potencialmente maior, quando as infraestruturas críticas
nacionais são detidas, numa percentagem significativa, por capitais
estrangeiros.

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